domingo, 10 de novembro de 2019

Simples


Sempre fui muito simples e hoje vejo como isso é importante.
Minha simplicidade provavelmente vem da minha classe social – sempre fui pobre. Não estou dizendo que todos os pobres são simples – sei que não, mas no meu caso, tenho certeza da influência que recebi desse fato.
Nasci no interior do Estado do Rio de Janeiro, na cidade de Itaperuna. Meu irmão mais velho, que quase não gosta de me “zoar”, costumava dizer que eu nasci num lugar chamado “Quebra Dedo” – parece que isso é coisa de gente simples (rs).
Meus pais sempre foram trabalhadores comuns – quero dizer que eram daqueles que não tinham muita grana. Minha mãe, na época, era dona de casa e meu pai trabalhou a maior parte da vida em uma fábrica de cimento.
Lembro-me de algumas coisas da minha infância, e uma delas é que eu não tinha muita mordomia – nem eu nem minha família. Nunca passamos fome, mas meu pai fazia o suficiente para nossa sobrevivência, sem luxos.
Na escola, sempre fui um bom aluno, mas confesso que não ter todo o material no início do ano me incomodava. A grana era curta e, às vezes, meus pais tinham que comprar os livros aos poucos.
Quando cheguei à adolescência, minha mãe também conseguiu um emprego – tornou-se professora, minha profissão atual. Não tendo meus pais em casa na parte da manhã, precisei aprender a fazer comida, coisa que na época não me agradou muito, porém hoje vejo como foi bom ter aprendido.
Se é para falar de simplicidade, não posso me esquecer de que nunca usei roupas de marca, mas todas tinham “marca” – rs. Meus pais não tinham como comprar roupas tão caras. Talvez, por isso, hoje ainda não ligo para usar as roupas de marca nem as últimas novidades tecnológicas – isso não faz a minha cabeça.
Sobre a alimentação, o importante é que nunca passamos fome. Tivemos uma época na qual comemos muito ovo. Costumo brincar com meus alunos e dizer que eu pensava que fosse botar um ovo em algum momento, por causa da quantidade de ovos que eu comia, mas isso não me causa nenhum constrangimento.
Nunca estudei em escola particular. Sempre fui aluno de escola pública e isso não me atrapalhou em nada. Sempre fui um bom aluno e tive um bom rendimento escolar.
Quando acabei o ensino médio, ainda desempregado, não pude cursar uma Faculdade. Meus pais não tinham dinheiro para me bancar em uma Universidade Privada, e eu não tinha emprego.
Trabalhei como locutor de uma rádio comunitária, dei aulas de violão, vendi jornais em uma banca e não tenho vergonha nenhuma disso. Tudo contribuiu para meu desenvolvimento pessoal.
Passei em uma prova para estudar no IFF (antiga Escola Técnica Federal, Campos dos Goytacazes, RJ). Terminei meu curso, mas não era aquilo que queria.
Depois de alguns anos, meus pais puderam pagar minha Faculdade – cursei Letras. Antes de terminar o curso, passei em um concurso para professor e pude pagar algumas parcelas da Faculdade também.
Depois de uns 6 anos, fui chamado para trabalhar no Estado do Rio de Janeiro – também como professor. Nessa ocasião, fiquei com duas matrículas – uma na Prefeitura de Campos dos Goytacazes e outra no Estado do Rio de Janeiro. Hoje tenho 15 anos como professor do Ensino Fundamental (trabalho com crianças) e 9 anos como professor do Ensino Médio (trabalho com adolescentes, jovens e adultos).
Não posso deixar de falar também das igrejas pelas quais passei. Em resumo, posso dizer que só fiz parte de igrejas pequenas (em número) e bem simples. Sempre fiz parte de igrejas que andavam atrasadas no que diz respeito aos recursos tecnológicos, já sofri zombaria de “irmãos” em Cristo por ser da “igreja pequena” que estava participando do festival, já zombaram de mim quando fui perguntado pelo número da minha casa, mas eu morava em um lugar bem pequeno e as casas (em sua maioria) não tinham número. Imagine como um adolescente se sente quando passa por isso! Bem, no entanto sobrevivi.
Mas aonde eu quero chegar? Quero chegar a Jesus e ao evangelho pregado por Ele.
Jesus era simples. Lembra-se do Seu nascimento? Não foi com uma comitiva, com uma festa, porém com muita simplicidade. Aliás, não foi só no nascimento que Ele demonstrou ser tão simples. Lembra-se da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém? Ele entrou em cima de um jumento! Jesus, o Filho de Deus, o Deus Filho! É bem diferente de uma galerinha aí de hoje, não acha?  A simplicidade sempre foi uma característica marcante de Jesus.
Mas não era apenas de Jesus. O evangelho também é simples, bem simples. O evangelho são as boas novas, as boas notícias da salvação. É a mensagem que diz que todo aquele que crê em Jesus será salvo: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:16-18). Por que complicar?
Fico pensando em tudo que vivi e vejo como foi fundamental para mim ter vivido desse jeito, pois isso me tornou uma pessoa simples.
Olho para Jesus e vejo que Ele sempre foi muito simples.
Olho o evangelho e vejo que a mensagem é muito simples.
Então, chego a que conclusão? Chego à conclusão de que tudo é bem simples, é melhor desse jeito, mas nós, seres humanos, gostamos de complicar as coisas. Simples, não acha?


domingo, 3 de novembro de 2019

“... e já não houve remédio.”


Não sei se você se lembra de onde é a passagem citada acima (no título), mas eu lhe darei uma ajudinha: “Mas eles zombaram dos mensageiros de Deus, desprezaram as palavras dele e expuseram ao ridículo os seus profetas, até que a ira do Senhor se levantou contra o seu povo, e já não houve remédio” (2 Crônicas 36:16). E agora?
O texto de 2 Crônicas parece bem familiar, não acha? Há muita coisa em comum com o nosso tempo: pessoas que zombam dos mensageiros de Deus, desprezam a Palavra do Senhor e expõem os mensageiros do Senhor ao ridículo. Não é bem familiar?
No fim do livro de 2 Crônicas, vemos também o triste fim do povo de Deus. O povo foi levado em cativeiro, para a Babilônia, e por um motivo: por não obedecer ao Senhor.
Em 2 Crônicas 36.11, 12, lemos assim: “Zedequias tinha vinte e um anos de idade quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém. Ele fez o que o Senhor, o seu Deus, reprova, e não se humilhou diante do profeta Jeremias, que lhe falava como porta-voz do Senhor”.  Zedequias, o rei de Jerusalém, fazia constantemente o que desagradava a Deus. Se você der uma pesquisadinha, verá que foi assim com a maior parte dos reis de Judá e de Israel. Eles viviam desobedecendo ao Senhor e, por isso, veremos o povo sendo levado em cativeiro.
Mas, como sempre, Deus deu oportunidade a Ezequias e ao povo para uma mudança: “O Senhor, o Deus dos seus antepassados, advertiu-os várias vezes por meio de seus mensageiros, pois ele tinha compaixão de seu povo e do lugar de sua habitação” (2 Crônicas 36:15). A história poderia ser diferente se eles tivessem ouvido os mensageiros enviados pelo Senhor, mas não foi isso que aconteceu. Foi nesse contexto que “... eles zombaram dos mensageiros de Deus, desprezaram as palavras dele e expuseram ao ridículo os seus profetas...”.
Hoje acontece a mesma coisa. O povo tem se atolado no pecado, a impiedade só aumenta, Deus está enviando mensageiros para alertar o povo, mas a maioria não ouve. As pessoas rejeitam a Palavra do Senhor, zombam de Deus e daqueles que Ele tem enviado. O que acontecerá com essas pessoas?
No tempo de Ezequias, aconteceu assim: “... a ira do Senhor se levantou contra o seu povo, e já não houve remédio”. Alguém pode pensar que Deus é injusto, é mal, não podia se “irar” contra o povo, mas não é assim. Aquele povo foi avisado, Deus não o pegou de surpresa. Deus tentou dar o remédio para curá-los da maior enfermidade do mundo (o pecado), mas eles não quiseram tomá-lo. Por consequência...
“Ele enviou contra eles o rei dos babilônios, que no santuário matou os seus jovens à espada. Não poupou nem rapazes, nem moças, nem adultos, nem velhos. Deus entregou todos eles nas mãos de Nabucodonosor; este levou para a Babilônia todos os utensílios do templo de Deus, tanto os pequenos como os grandes, juntamente com os tesouros do templo do Senhor, os do rei e os de seus oficiais.
Os babilônios incendiaram o templo de Deus e derrubaram o muro de Jerusalém; queimaram todos os palácios e destruíram todos os utensílios de valor que havia neles.
Nabucodonosor levou para o exílio, na Babilônia, os remanescentes, que escaparam da espada, para serem seus escravos e dos seus descendentes, até à época do domínio persa.
A terra desfrutou os seus descansos sabáticos; descansou durante todo o tempo de sua desolação, até que os setenta anos se completaram, em cumprimento da palavra do Senhor anunciada por Jeremias” (2 Crônicas 36:17-21). O povo foi levado em cativeiro, só retornando a terra depois de setenta anos.
Serei repetitivo agora: “Hoje acontece a mesma coisa”. O pecado é visto em tudo e em todos. Os mensageiros de Deus estão pregando, ensinando, mostrando às pessoas que elas precisam abandonar a vida de pecado e ouvir o recado de Deus, mas poucas têm feito isso. Deus tem sido compassivo, deixando essas pessoas viverem e ouvirem a mensagem que salva, mas há um problema: Ele não fará isso para sempre! Chegará o momento do julgamento e todo aquele que o rejeita estará banido de Sua presença eternamente, sofrendo eterna condenação.
Se você ainda não se acertou com o Senhor, acerte-se, pois virá o dia em que não haverá mais remédio.


domingo, 27 de outubro de 2019

Está sofrendo? Seja feliz, não se envergonhe!


Você está sofrendo? Já sofreu alguma vez? Gosta de sofrer? Quantas perguntas, não é?
Não conheço alguém que goste de sofrer, mas conheço muita gente que está sofrendo por algum motivo, faz parte. A vida nos traz coisas maravilhosas, mas também, problemas – muitos ou poucos. Doenças, problemas de relacionamento, incompreensão... Não quero ocupar muito espaço com uma lista aqui.
No entanto, olhando para os tipos de sofrimento, quero falar apenas sobre dois: sofrimento por pecar e sofrimento por ser cristão. “Como assim, Wanderson?”, você pode perguntar. E eu irei responder.
Em 1 Pe 4.14-16 lemos assim: “Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês. Se algum de vocês sofre, que não seja como assassino, ladrão, criminoso ou como quem se intromete em negócios alheios. Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio desse nome.”.
O apóstolo Pedro nos diz que podemos sofrer por causa do nosso pecado ou por causa de práticas que não deveríamos ter: “...como assassino, ladrão, criminoso ou como quem se intromete em negócios alheios”. Quando alguém sofre por causa dessas coisas, é porque ele buscou, e como diz um ditado: “Quem procura acha!”. O assassino – quando pego – sofrerá as consequências por seus atos. Da mesma forma, os outros citados no texto. Quem vive na prática de “coisas erradas” irá sofrer, as pessoas deveriam entender isso.
Também é bom lembrar que a Bíblia diz que o homem colherá o que planta (Gl 6.7). Há muitas pessoas plantando ódio e não conseguindo entender o motivo de colherem (receberem) o ódio dos outros. E há tantas outras coisas que as pessoas plantam e não entendem que estão lançando uma semente de péssima qualidade e, mais cedo ou mais tarde, colherão o fruto de acordo com o que plantaram. Isso não é bom! O apóstolo disse que não devemos sofrer por essas coisas, porém fala sobre um outro tipo de sofrimento: sofrimento por ser cristão. Esse tipo de sofrimento é bom! Aliás, é ótimo!
Quando sofremos por sermos cristãos, não podemos nos envergonhar. Temos que glorificar a Deus, engrandecer o nome de Deus. Por quê? Porque estamos passando pelo mesmo que Cristo passou. Jesus sofreu por nossos pecados e é uma honra para nós sofrermos por causa do nome dele.
Mas como vem esse sofrimento? “Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês...”. Pode vir das pessoas que não entendem a mensagem evangélica e nos insultam, da mesma forma que Jesus foi insultado. As pessoas, em sua ignorância, falavam mal de Jesus. Até mesmo “religiosos” – aliás, ser religioso serve para quê?
O sofrimento também pode vir através de alguma forma de perseguição, mas não podemos e nem devemos ficar espantados com isso. Todo aquele que conhece um pouco da Palavra de Deus sabe que isso iria acontecer. Por que ficar chateado? O texto diz que somos “felizes” por causa do nome de Cristo. Aleluia!  
Toda pessoa pode evitar o sofrimento que vem por causa da prática do pecado e que não é nada legal, trazendo tristeza. Mas toda pessoa também pode sofrer por ser cristã e isso é uma honra e motivo de grande felicidade.
Se você está sofrendo por ser cristão, quero lhe dizer uma coisa que eu disse lá no início: Está sofrendo? Seja feliz, não se envergonhe!